segunda-feira, 18 de agosto de 2008

SOLAR

Que ar dolorido pressentíamos no Solar,
na sua branca peça alta e solitária.

Transeunte apressado
após regressar ao norte, recordava agudamente
o casarão das noites de inverno, tão distante no sul,
na constante e antiga saudade do sul,
calmo e profundo o passado aqui se impõe.
Quem somos nós então?
Que idade e consciência da nossa terra e história gaúcha?
Os cavalos da madrugada estão voltando.

A vastidão da campanha nunca nos abandonou e, nela,
o coração não vivia despedaçado.

Ah! Mansos animais pastando eternidade!

Doces pássaros dos pagos, sangas, picadas, vaqueanos, rodeios
e o grato cansaço de voltar as "casas",
quando entardecia ternamente.

Luís Carlos de Arapey, 1983.

Esta relíquia foi escrita por um grande amigo e acho que, como todo
poeta, naquele momento precioso estava harmonizado com a memória
universal, pois é assim que os grandes poetas escrevem.

anatolio pereverzieff

sábado, 12 de julho de 2008

Jovens

A todo momento vimos acontecimentos que envolvem jovens, não todos é claro! Uns não respeitam nada e ninguém, outros "não estão nem aí" para coisa alguma. A diversidade de atitudes tem sua origem, na minha opinião, dentro de casa e no sistema educacional estabelecido no País todo, há anos.

Em casa, por exemplo, infelizmente muitos pais deixam seus filhos à deriva, excesso de liberalidade, pornografia infantil, contestação generalizada, internet com páginas inadequadas. "Dou liberdade total para os meus para que eu tenha a minha". Muitos assim se posicionam.

As mudanças no sistema educacional, com as novas sistemáticas adotadas e com métodos que foram importados não tiveram a suficiente assimilação pela sociedade em geral, mas sobretudo entre pais e filhos.

Outra situação que aflige a professores que não são respeitados, pais, mães, os idosos porque são velhos demais, tem origem na utilização de drogas, sobretudo o alcool, começando muito cedo com a cerveja que não faz mal. Depois vem as drogas de maior potência. Estamos vivendo uma época sem controles, mas felizmente ainda há pais que educam desde a mais tenra idade e assim temos e teremos muitos bons cidadãos neste País.

Façamos uma profunda reflexão, pois cada um tem uma parcela de responsabilidade para fazermos uma sociedade mais justa, fraterna e equitativa.

anatolio pereverzieff, tema de redação no vestibular de direito. 12.07.2008. 8:00h

Amigo José Meireles Saratt

Completaria hoje se fosse vivo o grande amigo, irmão com todas letras, oitenta e um anos, José Meireles SARATT. Amigo certo na hora certa. Amigo, poeta, versejador, criador de Hereford e Merino Australiano.
Homem simples que em meio a sua vida campestre nunca, em momento algum, deixou seus propósitos de lado, ou seja o de levar uma vida regrada, planejada, sem nenhum tipo de exacerbação. Vivia dentro dos antigo lemas de igualdade, fraternidade e justiça.

Gostava muito de, nas épocas carnavalescas, organizar os amigos para acamparem na beira do Rio Icamaquã. Participei destes gloriosos acampamentos com meus filhos e amigos muitas vezes.
Agora só temos saudades.

Com a ausente liderança do amigo José, sempre chamado de Tio Zé as coisas se modificaram, as turmas foram sumindo, pois que cada tem um caminho a ser percorrido, outros estão no Oriente Eterno.

Seu legado foi de uma importância imensurável. Era um homem de fina cultura para sua época.
Formado no Ginásio Estadual de São Borja em 1942 nunca parou de se aperfeiçoar. Era - hoje é um jargão - um homem 30 anos a frente.
Interessante que ele sempre se posicionava se forma muita clara e com uma fala mansa que a todos cativava. Ia vagarosamente discorrendo sobre nosso futuro econômico, politico, ecológico e
sobretudo os acontecimentos tecnológicos que nós ainda veríamos. Isto realmente se concretizou.

Um episódio que marcou sua vida foi que, quando da sua formatura no Ginásio, propôs fosse o paraninfo um jovem advogado que estava se destacando em São Borja, também pelas suas idéias políticas e relacionamento que tinha com os políticos da época. Tratava-se de João Belchior Marques Goulart.
Não logrou êxito na sua proposta. Foi, escolhido pela turma de formandos, dado este privilégio a outro cidadão.

Daí, aproximava-se a dita formatura e como todos deveriam fazer sua roupa nova. Escolheu o Alfaiate Fitipaldi. Tiradas as medidas a execução do traje.
Surpresa ao retirar: já estava pago. Diálogo imprevisto. Não posso revelar quem pagou disse o Fitipaldi!

Passados alguns anos, Goulart já empossado na Presidência veio a São Borja em visita Oficial.
E na sua Fazenda reuniram-se mais de quinhentos veículos, das mais variados partes do País.
Diocleciano Motta fiel escudeiro, procurador e amigo de Goulart e também do Meireles foi para a cozinha do Rancho Grande preparar o mate do Presidente e então chegararam o Dr. Alberto Benevenuto, que testemunhou meu casamento com a Solange, e o amigo Meireles. Queiram uma audiência com o Presidente, nem que fosse um minuto.

Quando o mate estava pronto Diocleciano abriu a porta da sala grande onde Goulart dava uma coletiva aos jornalistas, pela primeira vez como Presidente, e ofereceu a cuia ao mandatário, ocasião em que foi até a cozinha do Rancho e reconheceu os que lá estavam e chamou-os pelo nome, dada sua privilegiada memória. Daí o Meireles ficou sabendo quem pagou o terno de formatura. O Presidente agradeceu por ter lembrado do seu nome para ser o paraninfo.
Convidou-o para trabalhar no Ministério da Agricultura como o homem forte da pecuária ovina, para desenvolver projetos de aperfeiçoamento genético. Agradeceu, pois se descuidaria daquilo que mais gostava, que era ele mesmo cuidar das suas coisas.
O Dr. Alberto Benevenuto conseguiu seu intento, que era o de obter nomeação para atender os carentes através da Previdência Social. Goulart chamou seu ajudante de ordens e determinou a imediata nomeação do médico. De outra forma, até então, não teve êxito.

O Saratt nos deixou com 67 anos, e o Dr. Alberto teve sua vida ceifada tragicamente na auto-estrada que liga a capital ao litoral.

O casaco do terno falado está comigo, me foi dado pelo Saratt, que era meu sogro, irmão, amigo e conselheiro!

anatolio pereverzieff


sexta-feira, 11 de julho de 2008

RELAÇÕES HUMANAS...

O verdadeiro trabalho... escuta bem:

O verdadeiro trabalho é aquele que nos dá encanto. E o verdadeiro trabalhador é aquele que tem consciência de seu trabalho. Você sabe como fez, porque fez e quando fez.

O maior de todos os covardes, o mais perfeito poltrão pode se tornar um bravo se receber incentivo ou quando o mundo o elogia. Um perfeito idiota pode se tornar um herói, realizar atos heróicos quando se sentir admirado.

Mas, nenhum dos dois tem consciência do seu trabalho. Não estão despertos. Mas você pode aprender a regra: Não se pode agradar a todos. Por isso você deve ter CONSCIÊNCIA do seu trabalho, de tudo o que faz a fim de poder fluir da sua tarefa, antes, durante e depois.

Não faltarão imbecís para criticar seu trabalho. Antes nenhum dos imbecís pode fazê-lo. Só você soube empunhar a bandeira do seu trabalho que se tornou seu IDEAL. E o fez de forma indômita, corajosa, intrépida e com consciência.

Mas não faltarão imbecís; não faltarão cretinos; não faltarão despeitados; não faltarão desleais! Todos eles vindo contra você. Tem de aprender que não pode esperar nada de ninguém. Por isto mesmo você deve estar desperto, para executar o seu trabalho, sua tarefa, com amor ao cântico cantado, sem esperar que jamais alguém reconheça.

Mesmo os que hoje estão ao seu lado, amanhã podem estar contra. Mesmo aqueles que juram amor a você, a sua obra, ao seu trabalho, não titubearão em cravar um punhal nas suas costas. Consciência em seu trabalho: fazendo o melhor que pode.

Qual é o segredo afinal; ei-lo:

É aquele que mostra o homem capaz de, durante o mais profundo silêncio e da maior solidão, encontrar atividade, a mais intensa, e que no meio da atividade mais intensa saiba encontrar o SILÊNCIO E A SOLIDÃO DO DESERTO.

Esta verdadeira Peça de Arquitetura, engenhada pelo Prof. Rogério Pfatzgraff, foi excertada do livro "Melhore Suas Relações Humanas".

quarta-feira, 9 de julho de 2008

TREM - Lembrança de Aloisio

Muitos anos passados
Experiências sem igual
Do berço da soja à Capital do Estado;
Dezessete horas.
Lotação completa,
Alegria geral, confraternizações
Com os desconhecidos.
Parecia todos serem irmãos.
Economia opcional a todos
Escambos culturais
Escalenos povos.
Centro do Estado, Santa Maria
Da Boca do Monte.
Ilustres figuras embarcam
Altos prelados, o maior deles
Dom Aloisio Lorscheiter.
Dizia à Soror ao lado, que ouvia atentamente
E com vivo interesse e conhecer:
"Bandeirantes e Pioneiros" de Vianna Moog.
E eu a frente, naqueles bancos
cara-a-cara, escutava.
E da Capital trouxe um exemplar.
O calor daquelas conversas culturais
Transmutaram o eventual frio da noite!
O ringir da rodas secas não deixam
Cristãos velhos e nem cristãos novos
Aproximarem-se mais da noturna
Paz Profunda!
Depois o trem foi nos abandonando
Pouco a pouco e sumiu da nossa vista.
O pobre ficou mais pobre ainda!
E tão pobre ficou que esqueceu-se de
que algum dia existiu o trem minuano!
Escrito no Ermo da Boa Vista, aos 31 de julho de 2003.,22:00.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

POR DO SOL NO ITAROQUÉM


Saio, vagarosamente, após o desfastio, monarquicamente
servido pelos da casa.
Vislumbra-se um dos mais belos espetáculos
produzidos pela natureza. Aprecio-o!
Creio, sem demérito, nem o Pai Maior conseguiu
constatar o que aqui se passou e se
formava.
Um dos evetos mais belos tecido pela Mãe Natureza
exibiu-se.
Finas texturas de matizes inimitáveis.
Sob o testemunho de milhões de astros
que pareciam confirmar nossa estupefação!
Logo, uma fileira de menires cooperativados, transportam,
imóveis, em sua alma energia que alimenta e
transforma sonhos em novas esperanças...
Perspectivas de vida melhor para o simples usufruir.
No Itaroquém e no Rincão de Santo Ignácio
não se espera, com ansiedades que chegue o fim do mês.
Cada dia é um novo dia!
Se espera que a momentos oportunos
caiam sobre nós as abençoadas vibrações
Do Grande Mestre da Natureza.
Que tudo, em harmonia, fique como está!
Que o vilipendiado progresso fique longe;
do contrário haverá dúvidas e apreensões!
Queremos e fazemos votos que sempre estejamos
em observação.
Ainda, os desfastios da manhã, do zênite, que quando
à pino traz relâmpagos de energia, manifesto
nas silentes águas do derredor, alegremente.
Desabrocham pétalas dos hibiscus e das rosas
anunciando o coaxar das rãs,
nem sempre benvindas!
Harmonia que só a força onipresente
em sua miraculosa vibração
Nos brinda sem almejar retornos.
Daí, volto "as casas", extasiado!
Lembro de PAZ, de alegria, das
Singelezas inerentes, de novas idéias
e novos ideais.
Bondade que os que estão lá longe nos legaram.
Finalizo, simbolicamente genuflexo
em penhor a esta maravilhosa
Jornada nas santas terras
dos campos finos do Santo Ignácio do Itaroquém!


anatolio pereverzieff, escrito no dia do meu aniversário, em 3 de abril de 2007.
na Fazenda Cinamomo!


"Aperitivo Poético - excertos - L.F.Rodenbuch

-Ao abrirmos o baú da VanjaMaria Saratt Ramburger, relíquia que guarda outras tantas, vetusto e centenário, encontramos também o livro de folhas soltas do Luís Fernando RODENBUCH, de nome "Aperitivo Poético" e como já fomos de antemão autorizados a divulgá-lo, permitimo-nos trazer a lume alguns versos, que em seu interior trazem alento aos nossos corações.

PERCEBE

Pode chover por alguns minutos
Algumas horas, até alguns dias.
Os trovões e os raios
Podem ressoar horas a fio.

As nuvens escuras
Podem esconder o sol por semanas,
Mas um dia ele volta a brilhar,
Porque o sol é como nós,
Brilhamos sempre
Mas às vezes não percebemos.


II

Não sei onde estás,
Mas sei que onde estás
Ao teu lado estou.


III


...E SE UM DIA EU MORRER


Se um dia eu morrer
É porque não ajudei o pobre
É porque não conversei ou conversei demais.
Talvez porque eu ri muito e não chorei
Ou talvez porque eu chorei e não soube fazer rir.
Se um dia eu morrer,
Levo comigo o conhecimento
O conhecimento de nunca ter conhecido
O que é amar sem esperar troca,
O que é dar sem querer receber.
Se um dia eu morrer,
É porque não conhecí meu pai
Ou porque meu filho já não me conhece.
Talvez eu não os tenha conhecido.
Se um dia eu morrer...

É porque nunca soube viver!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Viagem pela Argentina

Há alguns dias tive de fazer uma viagem pela Argentina, para ir rapidamente até a Foz do Iguaçu.
Quando chequei em Porto Mauá, do lado brasileiro, já providenciei o carta verde, que é exigido naquele País vizinho. É um seguro contra terceiros no valor de duzentos mil pesos. Naquele dia a cotação estava R$ 0,58 o peso.
Quem tem seguro - por exemplo - ouro do bb que tem cobertura no mercosul deverá levar junto o manual que contém a apólice inseridae levar o cartão.
Daí, já do outro lado o Gendarme Argentino (Federal) estava sinalizando para passarem...
Mas era para passar a frente e fazer uma fila dupla para as providencias de praxe, pois estávamos entrando em outro País. Eu seguí adiante sem parar. E fui alançado por outro brasileiro que faria o mesmo trajeto quinze quilômetros adiante. Fez-me parar e alertou-me que eu deveria voltar urgentemente pois não fiz a declaração de entrada no País. A qual deverá ser entregue no local de destino.
Voltei, desci do carro pedindo muitas desculpas, que era coisa de velho, etc. Fui perdoado e brindado com um mapa novo, com um novo trajeto e toda uma gama de orientação por parte dos aduaneiros argentinos. Restou-me cumprimentá-los com um vigoroso aperto de mão e agradecimentos, pois além de mim viajavam a minha Sogra, minha mulher Solange e uma cunhada.
Estradas ótimas - sem nenhum buraco - sinalização impecável, orientação para todos os lugares e indicações turísticas de boa qualidade.
Conclusão: viaje sem medo pela Argentina, faça suas compras, divirta-se, faça tudo o que goste
mas dentro dos ditames da Lei dos nossos vizinhos. junho de 2008.

Vênus

Numa noite quente de fevereiro, estava eu escutando um famoso cantor folklorista argentino, Jorge Kafrune, "em sua música: anocheciendo zambas" - ele também tem gravações com sua filha Yamila. Lindo demais. Não dá vontade de parar de escutar, a cada nova interpretação somos levados pelo vento às lonjuras dos nossos pensamentos.

Vênus
Longe daqui sonhar era preciso!
Há tempos não acontecia
Surgiu então de repente
Um encanto, uma perfeição elaborada
Pela natureza.
Divina!
O escultor certamente não saberia o que
Fazer; nada mais haveria de ser feito,
Pois já estava maravilhosamente
Completa
A não ser seu enrubscimento.
O escultor não foi chamado,
Procurava um pintor que a retratasse
Assim como veio ao mundo, madura!
Logo fez contrato com o Mestre Pintor que
Recém ensaiava as misturas de belos matizes
Para, então, com seus pincéis traçar os
Primeiros planos.
E, com especial candura despiu-se delicadamente
Para ser usada pelo Mestre.
Soltou as alças de suas vestes com vagar.
Nada mais havia encobrindo sua pele.
Os beija-flores queriam também abeberarem-se
Do nectar provindo dos seus mamilos.
Logo um coração emplumado
Com fina e delicada textura
Mostrou-se também.
Nada na verdade precisava ser retratado
A perfeição demonstrou sua existência.
...........

Trabalho interno Legendas By TJ