quinta-feira, 9 de abril de 2009

VENTANIA, Prosa de Galpão

O vidente muito cedo perdeu a vida
aconselhava a todos e recomendava paciência;
seriam abençoados.

Premiados também seriam para que pudessem
recuperar as causas perdidas,
certamente, ainda teriam direito a bênçãos superiores.

Um grande prêmio terá boa aplicação em uma fazenda
que precisa ser reestruturada.
O futuro novo rico logo empreendeu planos e empregaria,
em sua maioria, os inimigos de quem cometeu o desatino
de ter inventado o trabalho.
Os que mais reclamam que ninguém os ajuda também seriam
aquinhoados com novas  atividades!

Logo o número um, de nome Ventania, perguntou e eu o que 
vou fazer?
"Tu vais lavar os xergões e pelegos da fazenda uma vez por 
semana".
Saiu em disparada, ofendido, rumo ao galpão da peonada,
chorando em desespero; e o mais matreiro perguntou o que
houve Ventania?
"Tô apavorado pois que o pior serviço tocou pra mim".


THEMIS

Intendentes, como ela, não querem enxergar com possíveis
alegações de que não existem verbas.
Eles pobremente alugam sem ônus banheiros públicos,
sórdidos, mal-cheirosos como pequenos apartamentos,
sem dignidade nenhuma.
Restos de sanduíche são associados à cucarachas, que labutam
muito mais a noite do que de dia!

Pobres seres, humanos?

Promessas de saciabilidade geral...
A cada dia o exército sem estratégia nenhuma aumenta!
Como estancar tamanho rombo social?

Planejadores esquecem  que precisamos viver 
holisticamente do que experimentar confortáveis assentos
dos aeroplanos que os levam longe na vã e triste sina da
mendicância de verbas públicas, como se favores fossem 
do concedente.

Dignidade!


Farroupilhas

Buscam-se tradições adaptáveis à modernidade,
poucos novos adeptos para antigas tradições
galponeiras, onde queima estridente o pau-ferro,
que aquece o sangue da simplicidade, daqueles 
que ainda sabem encilhar e montar o cavalo,
melhor companheiro do homem do campo!

Daí vem a memória nas rodas do mate; dos 
embates  desde a guerra do Paraguai, onde só
ouviram falar; da Coluna Prestes, do tenentismo,
dos cangaceiros que pelo vil metal perseguiam  para
que os do capital não perdessem privilégios!

Como é bom e amável respirar o ar puro exalado
pela liberdade.

Queira o Grande Arquiteto dos Universos repartir
suas bondosas vibrações de amor e paz!





quarta-feira, 8 de abril de 2009

Atitude Humana Onde Estás?

Fogo, chuvas, falta de água, assoreamento, destruição,guerras.
A imprensa nos mostra todo momento as incoerências
dos humanos.
Tocam profundamente em nossas emoções.
Registram em nossas memórias coisas ruins
Más atitudes, embrutecimento dos seres humanos,
distanciamento entre as pessoas é uma constante.

Urge voltarmos nossos olhos a um passado recente
para resgatar um pouco do que perdemos!

Os rios poluídos; não existem mais as margens de 
proteção.

A pesca predatória se autoproteje na carapaça
de instituições que as guardam e sustentam. 
As matas são terrível e sistematicamente
devoradas para fazer "caixa" e aumentar 
a área plantada. Onde guardar tudo isso?

Voe, voe, experimente! Vá passear e veja o redor!
Vem, célere, o desequilíbrio montado no imaginário 
alazão.  Loucuras para o salve-se quem puder!
 O que fizemos para que não acontecesse?
Queremos um mundo melhor para nossos
filhos e netos?
Recomecemos agir antes que seja tarde demais!

O ser humano é o único animal que fala e que pensa!


Fatalidade

Lastimável que assim tenha acontecido.

De repente tu precisas ir. Já é costume.
Todos almejam boa sorte, boa viagem, vá com Deus,
te ligo depois, na chegada te conto tudo!

A pressa, inimiga primeira, nos prega peças 
inesperadas.

Imensurável tragédia num ato só!

A dor ficou para todo o sempre com os que não 
voaram.
Essa dor jamais será olvidada; a saudade dos que foram
numa viagem sem regresso!


Ansiedade

Não procures o que não foi perdido
escute os pássaros, eles querem cantar,
querem exibir-se.

Caminhe por lugares desconhecidos,
olhe as flores. Olhe como são belas
e o que fazes para conservá-las?
Queres ansiar-te propositadamente
e sem grandes motivações.

Procure ver nas mínimas coisas
a grandeza dos detalhes; busque enxergar
sinais da perfeição da natureza.

Veja o ancião que quer produzir ainda,
ele, devemos crer, ainda não completou
sua própria obra; quer novos progressos.

Será que os peixinhos que nadam no aquário
não gostariam de nadar num rio?
Somos, enfim, livres e de bons costumes
e não percebemos!

Tributo a Helena Meireles

Encanta qualquer ser
com simplicidade
dedos finos
dominam finas cordas de 
aço,
vibrações de ternura e
PAZ!
alegram viventes de todos
continentes;
Oh Helena!
Tu que não és a de Tróia,
porque noutra época vive!
Acordes tirados do arame refazem
o mundo pequeno que nos rodeia.
Rancores e rumores se misturam
na busca incessante da perfeição
humana,
e, quando silentes nos harmonizamos
contigo!
Diante de tanta beleza enxergamos
o Pantanal, a Chapada dos Guimarães,
Bonito, Aquidauana.
Diante de tanta beleza é possível nos abstrair
e harmonizarmo-nos com aonipresente
força sobre humana!
Diante de tanta majestade vimos quão
pequenos somos.
E assim sendo, podemos nos recolher
à insignificância do nosso próprio
SER!
Oh Helena,viva mais!

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Estas letras foram formatadas pouco tempo antes da magistral
Helena Meirelles partir para o Oriente Eterno.
Reconhecida após muito sacrifico, nos Estados Unidos, pelos estrangeiros
que a conheceram no Mato Grosso do Sul.  Despojada, pobre, sofrida, deixou um 
legado cultural da mais fina e pura delicadeza!
Sua vasta interpretação certamente entrará para o 
cabedal da cultura brasileira e regional.




Viagem, Sem Regresso!

Já pedí aos que me são caros
Támbém aos amigos fraternos
Que velório não quero!
Não quero terra por cima.

Receio que por imprecaução algum vivo
Queira cometer o desatino de ler a 
folha corrida, conhecido como "vitae".

E, também evitar discurso, acho que quem o faz
Somente enxerga virtudes!
Os defeitos ficam guardados no baú e aí
algum dia, não vai faltar, alguém encontrará 
o indizível.
Para que então ser exposto, já noutro lado?
Porisso, quero ser cremado e minha esposa 
TAMBÉM!

Trabalho interno Legendas By TJ