segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Osmar, o Engenheiro

Outro dia, de passagem pela vila, paramos para buscar
temperos na horta comunitária, que de comunitária só tem
o engenheiro Osmar, todos o chamam assim, por carinho, dada
sua engenhosidade.
Ele semeia, planta,limpa, colhe, armazena, distribuiu quando
preciso e dá a quem pede. Nunca diz não tem!
Sempre tem.
O povo da Vila Itaroquém é bem servido.
Surpresa na frente da sua residência: amarrado ao lado do portão
uma roda de ferro coberta de borracha maciça. Logo aduzi tra-
tar-se de roda de um veículo mil novecentos e dez, mais ou menos.
Logo pedi para ser guardada em um museu; logo será antiguidade -
um século!
Osmar, o engenheiro orgulhoso de possuir tão digno troféu disse
também que conseguiu até retrato do auto que o utilizava.
Este poderoso rodado, que certamente levou muita gente importan-
te a muitos lugares e talvez por isso era um troféu de imensurável
valor.
Com exagerada curiosidade pedi para ver a foto, para reproduzí-la e
então mostrar a todos.
Após longa busca, ofereceu-me, não sem antes explicar direitinho
para sua jovem amada do que se tratava, do interesse por tal artigo.
Passou-me às mãos uma brochura do "MOVA".
Movimento de Alfabetização de Adultos - e recomendou que a foto
do "auto" estava lá dentro. Não estava.
Dúvidas.
Retomou o livro, folheou-o folha por folha até que encontrou. Está
aqui. Está escrito auto!
Eram nove desenhos de automóvel antigo, com claros logo abaixo
para que fossem completados. Letra por letra - a u t o m ó v e l -
até aprender a "acuierá as letra".
O amigo João Luís não se continha de tanto riso.
Não deu a roda, nem o livro, porque tem ânsia de poder aprender
para ler a bíblia em suas entranhas e então ajudar mais, pois além
da horta quer também cuidar das coisas da alma e do espírito.
Continua amigo. Fomos embora com saudades e com os temperos
na mão.
O João Luís ainda não parou de rir...
E o engenheiro sem malícia, cândido, simples e inocente, quer apren-
der mais para usar com habilidade e simetria outros instrumentos
como a régua grande, nível, prumo, maço, cinzel e outros aparelhos.
Obras físicas já fez muitas.
Quer novos aperfeiçoamentos.
Salve o amigo Osmar!

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"Mais vale passar silenciosamente e sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantem a voz, nem
invejas que dão movimento demais aos olhos".

Fernando Pessoa.
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São Rafael - Itaroquém

Um rancho de taquara, barro, coberto de santa fé, nasceu um
rebento em meio às agruras da natureza, pois longe da cidade
era e tudo tinha de ser feito por lá.
O casal unido por um pacto de respeito e mútua confiança, que-
riam fazer sua parte.
Constituir família, formar patrimônio, trabalhar muito e tudo aumentar!
Conseguiram!
Cresceu, ficou bonita por dentro e por fora.
Ficou amiga de todos, estudou em colégio de freiras igual sua mãe.
Herdou boa formação e tem como virtude ajudar os outros.
Renunciou a muitas coisas boas da vida para os demais favorecer.
Muitas renúncias!
Jovem ainda pois, foi passear e divertir-se. Mil novecentos e setenta.
Baile do município.
Reconhecimento recíproco!
Muitos simbolismos, amor, ciúme, distância...
Casamento!
Dois filhos, uns amores de guris. Recebem ainda toda sorte de cari-
nhos e de aconselhamentos.
No útero já os magnetizava e transmitia sua herança atávica, de
bondade, de formação e não menos de responsabilidades.
Hábil para tolerar e astuta para reclamar e corrigir erros de per-
curso.
Sabe ser tudo na vida!
Te amo Solange Maria, beijos.

Políticos de Hoje

Pode-se reestilizar uma bandeira, mas não se
reestiliza um ideal de liberdade, de justiça, da
invasão da privacidade e da propriedade.
De ir e vir.
De ampla e irrestrita fraternidade tão escassa
no mundo internacionalizado que vivemos.
Não leram e menos ainda estudaram Ghandi, vi-
ram somente o retrato de Karl Marx, copiosamente
usando por Fidel e também pelo rioplatense que foi
lutar algures, na África. Decepção homérica!
Contrato Social de Rosseau deveria ser a cartilha
para muitos, Salário - Preço e Lucro de Marx a ser
profundamente estudado, assim como o Capital...
obra inconclusa!
Para as dúvidas e lá tem algo de proveito: O Principe,
de Maquiavel.
Érico Veríssimo em "Olhai os Lírios dos Campos".
Almeida Garrett em sua profunda biografia e épicos
poemas.
Libertadores Simon Bolívar, San Martin, grandes homens
da história latino-americana, que usaram suas espadas
para a liberdade, cujas lâminas jamais perderão o brilho
e o fio quando se falar da mais pura liberdade!
Sejamos a gaivota tão bem ensinada por Richard Bach em
Fernão Capelo, que vagarosamente vai aprendendo os
maiores lances para uma perfeita harmonia progressiva
em seus vôos alçados e assim juntos haveremos de crescer
moral e espiritualmente, reforçando elos da corrente fra-
terna numa verdadeira e profunda cadeia de união a circular
pelo nosso País, quiçá estendendo-se na orbe!
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"No tempo d ´agora ninguém quer ser governado, porque
todos aspiram e se crêem hábeis para governar".
Mariano da Fonseca.
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sábado, 29 de agosto de 2009

Preces

Deixemos o escritor ensinar suas preces e suas
Crenças, que viva, que conheça mais do mundo,
Tal como fez Pessoa, pois o dinheiro isso
Proporciona e também um fardão e banco de honra
Na Academia.
Certamente está contribuindo para que muitos
Encontrem sua própria LUZ!
As preces e meditações silentes nos levam a ouvirmos
Os sussurros do nosso eu interior; a balbúrdia
Nos leva à loucura.
Ouçamos os gritos da nossa alma que clama por
PAZ, primeiro em nossos lares, tranquilidade, alma
Que chora por fraternidade escassa;
Louvemos os bons espíritos para que espalhem
Suas onipresentes vibrações de amor, para que os
Humanos se liguem uns nos outros numa
Infindável corrente de prosperidade, de humildade,
De doação,
Trabalho, ensino e muitos bons exemplos.
Roguemos também aos bons espíritos para
Que nos mostrem sempre os melhores caminhos
A serem percorridos.
Que sejam estes caminhos livres daquelas
Encruzilhadas traiçoeiras, semelhantes
A ferrugem que vai roendo e deteriorando
Tudo à sua volta, sem dó nem piedade!
Nada de falsas modéstias e nem de falsas
Humildades!
Tenhamos, todos, um pouco de Mahatma Ghandi
E de Sidarta Gautama, o Buda!
Para não sermos tão pretensiosos nesta inglória,
Injusta e desigual caminhada.
Se não conseguirmos enxergar com os nossos
Olhos enxerguemos com a alma!
A sorte está lançada. "Álea jacta est"
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escrito em momentos de reclusão voluntária.
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"Da inteligência satisfeita a um coração agradecido".
(Dante Domingues Brandão)


Aflição

Perguntou à sua mãe: Sou vesga?
Num primeiro momento a impressão
Era de que sim!
Depois de alguns segundos veio o sobressalto
E respondí que aquilo era momentâneo,
Que era da idade, que era natural e
Comecei a pensar mais e disse que isso
Era da própria vida, em toda sua
Formosura.
Embora nunca mais possa te dar uma irmão,
Porque a natureza assim não o quis
Dou-te meu amor filial...
E também não podendo predizer teu futuro.
Porque ele a ti pertence, desejo
Porém, que em toda tua formosura sejas
Como os encantos encontrados nos campos
Do Itaroquém, com suas curvas, nuanças,
Com obstáculos como é natural que os tenham
Sejas, porém, como
"A lua que brilha, porque alta vive"!
Tu, na verdade, não tens nada minha filha
Porque te compreendo e partilho das tuas
Emoções e das apreensões sobre o teu futuro.
Desejo somente que não te percas nu mundo das
Falsas ilusões e sejas a meiguice,
O caminho para trilhar com sabedoria, com
Força e com beleza e muito amor os campos
Finos do Itaroquém!
"Tua Mãe".

Homenagem a Janice Saratt Ramburger.

"Quando se segue um mau caminho, quanto mais
depressa se caminha, maior é o extravio".
(Denis Diderot)




Animais

Apascentam-se, há séculos, nas finas pastagens
Das históricas e míticas missões,
Ovinos, bovinos, emas, veados campeiros,
Muares, cavalares e toda uma sorte de
Centenas de outras espécies em
Invejável harmonia, que só aos irracionais
Pertence!
Porque deles independe a vaidade humana,
Independe também a máquina de calcular,
Porque esta dispara números mortais como se
Flechas envenenadas o fossem;
Destroem velhos conceitos de amizade,
Rompem elos da corrente fraterna e
Somente subsistem nesta hercúlea batalha os
Despojados das vaidades humanas e os que
Cultuam as coisas mais ternas e mais simples,
Onde tudo o mais, que faz falta, já é
Fartura e opulência!
E assim o sol prossegue em sua jornada!

"Um pouco de rebelião de vez em quando é coisa
boa". (Thomas Jefferson).


Ausência do Guerreiro

Aquele que acolhia todos, com sol, com chuva e com lua,
em qualquer tempo
fez-se um nome e um homem!
Lapidou suas próprias pedras brutas,
Viu a luz e não ficou cego,
Enxergou através do tempo, despejou caudais de amor filial,
Soube amar e
Ser amado, foi acolhido e sempre acolheu
Lia e estudava para ensinar.
Alertava sempre que a paciência e a perseverança
Haveriam de triunfar!
Conhecia a política, desde a Grécia antiga, as raposas sofistas
Desta época como poucos humanos!
Chamava todos de companheiros,
Carinhosamente e, com afeição angelical, assim também o
Fazia com sua esposa.
Partiu como se uma coluna do templo da vida
Sofresse abalo.
Deixou obras por fazer e o incriado para sê-lo.
Amigo de rara beleza interior,
Relacionou-se com todas as hierarquias humanas
Colecionou ditados e ditames.
Foi um incansável amante das letras, sobretudo de
José Hernandez - velho irmão - em seus seculares
Versos estampados na figura simples, humana,
Filosófica e máscula do gaúcho Martin Fierro!

"Jamás puede hablar el hijo con autoridade del padre".
Martin Fierro.

Estas letras são dedicadas a José Meireles Saratt,
Membro Ad Eternum da Grande Fraternidade Branca.




quarta-feira, 19 de agosto de 2009

CINISMO

Triste, senão lamentável o que estamos vivenciando em nosso País!
Como não ficar estarrecido? Que exemplo aos filhos e netos; que exemplo aos alunos
das escolas públicas?
Aqueles que deveriam abrir a boca calam-se como se petrificadas estátuas o fossem.
Acusam a imprensa de causarem pânico. Que graça!!!
Diógenes - cínico - andava com uma lamparina nas praças gregas procurando homens honestos e dizia não os encontrar. Cinismo talvez.
Puro cinismo!
Aqueles de ontem que gritavam e se explodiam de iras onde estão hoje? Certamente estão acomodados e degustando um Romanné Contti em confortáveis instalações.
É assim mesmo. Desde que o mundo é conhecido como mundo, a história nos conta
as maiores mazelas e vamos aceitando pacificamente e sem questionamentos e no fim tudo isso vira Lei, vira costume, hábitos perniciosos.
Sempre temos de viver atemorizados...
A inversão dos valores morais e éticos que estão assolando nossa Pátria jamais serão apagadas das nossas memórias. O prejuízo para recuperarmos nossa autoestima, nossa brasilidade, certamente levará tempos imedidos. Pena!