A MAÇONARIA E O PATRONO SÃO JOÃO DA ESCÓCIA

Em torno de São João da Escócia, tido no Brasil e também em alguns países como o Padroeiro ou Patrono da Maçonaria. Criou-se um mito!
Trata-se de um nome puramente simbólico. Terá realmente existido um São João da Escócia?
Talvez, mas são imprecisos os dados sobre a real existência desse personagem, real ou lendário.
Os dados definitivos são difíceis de serem obtidos no mundo profano, até porque na maioria dos ciclos da nossa evolução as histórias chegavam até nós através da palavra.
São raras as pesquisas e também na Wikipédia, no rol dos santos do Vaticano. Milhares de páginas...
Historicamente, encontraremos a origem desta lenda no título de uma loja maçônica fundada em Marselha, na França, no ano de 1751, por um viajante. Dados sobre isto permanecem obscuros.
Há um número de maçons para fundar uma Loja, mínimo, com certas exigências de graduação e a história nos diz que um só teria fundado aquela Loja!
Após a Revolução Francesa aquela Loja adota outro nome: Loja Mãe de Marselha, posteriormente alterou para Loja Mãe Escocesa da França.Conclui-se que a Loja São João da Escócia mudou de nome duas vezes. Isto demonstra talvez a falta de prestígio e também haver dúvidas sobre o São João da Escócia se seria ou não um Santo.

São João da Escócia poderia estar ligado a outro personagem, que realmente prestara serviços humanitários, ora conhecido como São João de Jerusalém ou como São João Esmoleiro.
Para termos uma noção mais acurada, ou ampla, sobre estes personagens, mas na verdade parecem fundir-se num só.

A confusão reside no fato de que certas Lojas tomaram o nome de São João, originando a crença que o personagem foi crível.

São João de Jerusalém era o título de uma Ordem de Cavalheiros Espanhóis, bem como São João da Palestina seria uma outra Ordem semelhante.

Credenciados tratados maçônicos afirma que as Lojas Maçônicas não são dedicadas a São João Batista, São João Evangelista, mas a São João o Esmoleiro, benfeitor, que fora o Grão Mestre dos Cavaleiros de São João de Jerusalém, no séc. VIII. Honrado e venerado pelos Cavaleiros Templários.Este São João teria nascido no ano de 550 e falecido no ano de 619 em Amamonte, no Chipre. Filho do Rei do mesmo País, que por ocasião das Cruzadas, seguindo uma vocação benemérita abandonou sua terra indo à Jerusalém socorrer feridos e enfermos que lutavam em favor da fé cristã.
Com recursos oriundos de berço auxiliava também os peregrinos que iam ao Santo Sepulcro prestar suas reverências!
Sua tarefa não fora simples, pois assumia toda sorte de riscos, enfrentava infiéis, pestes, e outros tantos perigos, ferido várias vezes até encontrar a morte em longínquas terras.
Seu desprendimento fora sublime, o seu amor aos semelhantes tão vinculado, que acabou sendo reconhecido pela Igreja e canonizado como São João!
São João de Jerusalém!

Os lendários construtores - pedreiros livres - que juntaram-se ao Templários em massa se deslocaram e se juntaram nas guerras das cruzadas, restaurando templos que haviam sido destruídos pelo inimigos infiéis.
Assim diz a lenda: escolheram São João o Esmoleiro como patrono da Ordem Maçônica.

Dependendo a região em que se situam as potências estrangeiras muitas são as variantes do uso de São João como patrono; São João Batista, São João Evangelista, este também santo padroeiro de todas as Rússias, São Marcos, São João Crisóstomo, São João de Edimburgo e evidentemente São João o Esmoleiro, São João de Jerusalém e São João da Escócia.

Considerando que a Maçonaria criou em torno do nome de São João uma série de datas e festividades, precisaríamos nos incursionar por veredas diversas e fazer digressões concretas a respeito do assunto. Realmente existem confusões sobre o assunto e faltam dados para análise.

Para os das Américas e especialmente a Latina a Maçonaria começou suas atividades com características cristãs, haja vista sempre a presença da Biblia no altar, lida antes do início dos labores.
Nas priscas eras a influência da Igreja/Estado eram muito salientes e isto foi trazido para os pensadores e administradores. Vejamos a construção do Templo de Salomão, tal como biblicamente citado, constróem-se hoje os templos maçônicos, conservando suas características, suas medidas e toda parte exotérica e esotérica. O Rei Salomão é um dos grandes ícones da Maçonaria.

Com o advento do cristianismo e as perseguições dos primeiros séculos desta era, com a inquisição saliente e radical, toda sorte de perseguições fez com que houvesse a autoproteção para sobre vivência das Ordens da Época, dos Templários, que originou a formação da Maçonaria, ou a transformação, Pedreiros-Livres para Maçons, o que quer dizer a mesma coisa.

Ressurge após sofrer todo tipo de perseguições, amparadas em graus de desenvolvimento, por classes, por senhas, por palavras de ordem e de passe, por inúmeros sinais, o que lhe dava segurança ao prosseguir com suas ações de solidariedade, de amparo e de desenvolvimento dos Países em que atua. Assim se fortaleceram e foram surgindo em todas as comunidades as confrarias de pedreiros-livres, que assimilavam os ensinamentos do Mestre Nazareno, que ensinava: "Vivei em comum, amai-vos uns aos outros".

Surge então o primeiro nome: São João Batista, o primeiro decapitado, por ter sido primo-irmão ,
que o precedera na anunciação da Vinda do Messias.

Em meados do século II o Colégio de Artífices de Roma abraçou o cristianismo e adotou sem vacilações, como patrono o nome de São João Batista. Este Colégio fora instituído por NUMA POMPÍLIO.
As lutas internas, a busca do poder - houve um período da Igreja que em cem anos foram mortos 36 Papas - e isto trouxe fortalecimento à confraria dos Pedreiros Livres ou Maçonaria, como aceitamos hoje. A Ordem saia-se sempre, mais fortalecida. Muitas denominações foram com fortes sinais de aproximação. Na Itália passaram a ser denominadas de Confraternidades Maçônicas, na França de Irmãos Maçons, na Inglaterra de Francomaçons, e Irmãos de São João.
Essas confrarias não eram compostas somente de arquitetos ou de construtores, os obreiros mais hábeis, os artesãos. Aqueles que encontravam uma especialização, por sua vez, reuniam-se e formavam sua confraria.
Os padres, com grandes vantagens sobre os demais, porque dispunham de conventos e igrejas aderiram com facilidade à essas organizações e no início dos três primeiros séculos inexistia qualquer constrangimento entre cristãos e artífices, quando se reuniam para exercer a arte de construir e edificar.
Os conventos foram abrigos seguros quando surgiam lutas e perseguições.
No Séc. X surge uma curiosidade:o Nome de São João como sinônimo de Pedreiro-Livre ou Maçom. Houve grande influência do cristianismo e do judaísmo na Maçonaria, pois a diversidade de ritos e rituais adotados e seu conteúdo tornam estes fatos indiscutíveis.

Na idade média as corporações de construtores tomou vulto jamais previsto e a maçonaria de sua posição puramente iniciática passou a ser operativa. Precisava construir um novo HOMEM!
Essa fase que proporcionou à Europa os mais belos monumentos de arte, a Maçonaria retornou a sua fase especulativa e passou a sentir necessidade de reconstruir o homem.
Abraçou todos os ramos da ciência e das artes e verificou que o elemento mais belo e precioso continuava sendo o próprio homem.
Mas, a Maçonaria não poderia abrir mão do simbolismo, construído com tanto sacrifício e firma-se nesta área. E é aí que vamos encontrar por grande coincidência o segundo nome de João. Janus, nome que os pagãos aceitavam como um ser supremo, o sol que sempre iluminava, pois proporcionava vida, fecundidade e calor. O sol era o supremo criador, o guarda do infinito, a luz.
Janus nada mais é do que João, que guardava as portas dos céus ou as portas do infinito.

Finalizando, acredito ser verdadeira a afirmativa de que o nome é São João Esmoler, filho do Rei de Chipre.

Nos rituais Maçônicos e os mais antigos em uso consta que somos de uma Loja de São João, Justa e Perfeita!

A Maçonaria consagra a São João o dia vinte e quatro de Junho, realizando confraternizações em lembrança a data, e também fazendo iniciações em seus mistérios, fundando Lojas, etc.

Bibliografia:
- Comentários sobre Moral e Dogma, CLAUSEN, Henry C. gr. 33, Supremo Conselho do Gr. 33º ;
- Dicionário de Maçonaria, FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Gr.30º
- Igreja Católica, A e a Maçonaria, CAMPOS, Porto, A. 1957;
- Simbologia Maçônica,MAGALHÃES, Augusto Franklin Ribeiro de, M.I. vol.II
- Introdução à Maçonaria, DA CAMINO, Rizzardo Vitório Abramo Guecello; 3º vol.
História - Filos - Doutrina;
- Jacques Demolay - Os Templários, DA CAMINO, Edit. Aurora-Rio;
- Papa Negro, O, MEZZABOTA, Ernesto - Edit. Espiritualista, Rio, 1973;
- Landmarques e Outros Problemas Maçônicos, ASLAN, Nicola, Aurora-Rio, 1972.



Comentários

Pedro Neves disse…
Caro Anatolio, o seu Blog é ótimo e o trabalho está excelente.
Parabéns.
Um Abraço Fraternal.
Pedro Neves.
Anônimo disse…
Parabens.
Fico satisfeito quando alguém lê o que escrevo, esta tarefa não é lá muito fácil,mas enquanto eu tiver força para desbastar, com parcimônia as arestas da pedra bruta agradeço...
Max Pedro disse…
Parabéns, texto bem redigido e fundamentado irmão.
Valdir Albano disse…
Pesquisei varios trabalhos e gostei mais do seu, bem fundamentado, parabens.

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