Aleijadinho

Fato verídico acontecido na Vila Nhu-Porã, passagem de trens, em São Borja, há cerca de trinta e três anos, mais ou menos, no Café do Osso.
De retorno de São Borja, o Seu Marcos Ramborger deu uma paradinha com seus filhos - eles plantavam suas lavouras nas cercanias, próximo à Coudelaria do Rincão - naquele Bar, pois era um lugar da melhor qualidade para saberem das novidades e saborearem alguns quitutes e obviamente acompanhamentos.
Quando estacionavam o veículo em frente ao Bar, havia no parador para amarrar cavalos um cidadão encostado, que andava de muletas, pois havia perdido uma perna, por excesso de bebedeira, nos trilhos de trem e para que não perdesse a estética costurou uma bota de militar por cima da bombacha fazendo-se fisicamente perfeito.
Esqueceu-se disso talvez, e levou a mão para cumprimentar o seu Marcos e nesse ínterim desequilibrou-se, caindo de forma surpreendente. Torceu justamente a perna que portava a bota, que indicava perfeição física e o amigo que receberia cumprimentos começou atacar-se dos nervos gritando tresloucadamente por socorro. "O homem quebrou a perna, socorro, acudam, vamos levá-lo ao hospital com urgência" e ninguém se mexeu para isso. Todos os presentes desatinados soltaram espalhafatosas gargalhadas e o Seu Marcos ficou furioso pelas irritantes e insanas gritarias.
Somente ele não sabia que o homem não tinha uma das pernas e vivia bem assim, como quis o destino!
A gritaria geral continuou por momentos enfurecendo mais ainda o Seu Marcos, em meio a vergonha porque passou, saiu de fininho e nunca mais tocou no assunto.

"Não procures amigos sem defeitos, pois assim não terá qualquer amigo na vida. E não procure defeitos nos amigos senão, pouco a pouco, ficará sozinho." (Alfonso Milagro)

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