sábado, 25 de junho de 2011

Pontas de Lanças

A quem molestaram? Na defesa ou no ataque?
Carcomidas pelo sal da terra e pelos milhares de decêndios.
Defenderam legitimidades, direitos à vida, à propriedade, do
ir e vir, de quem?
Simbolizam poder!
Dos que tinham a primeira fundição em São João Batista.
Eram eles!
Eram donos da cultura de todas artes;
Ensinaram esculpir no pau-ferro santos
Cujos formões lhes deixaram sem alma,
Esvaziaram-nos e depois a devolveram  em forma de
Ouro, prata, diamantes e ametistas.
Certamente estão entesouradas na casa do Pai Maior,
Representante onipresente das falas daquele que dita
Regras para a natureza se completar.
Os herdeiros naturais esmolam-se, envergonhados
Da mísera condição  humana de vendedores de
Cestos e de balaios.
Onde são guardadas as lembranças tímidas do
"Esta terra tem dono."
Querem beatificar o índio e depois vender
Medalhas santificadas.
Guardam-se sós as pontas de lanças,
Guardiãs de sua própria história e eventualmente
Nos levam ao passado numa carruagem de
Indagações e de sonhos, puxada por alazões
Alados.
Algum dia alguém nos contará mais!
Sepé Tiaraju onde estás?

"Me gustan las gentes simple... as que conmigo
Compartem los milagros."
CABRAL, Facundo.

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