UN EXPOSIÇON TEMOKRÁTIKO

Folheando amarfalhados exemplares de A Manha do Barão de Itararé encontramos esta 
crônica de seu correspondente em Buchenwald, de 1945, logo depois do término da IIª
Guerra Mundial. Transcrevêmo-la sem retoques por considerá-la oportuníssima entre nós:
      Querrido tirretor de A Manha, Baron de Itararé.
      Aí fai ao crônica que o zenhorr me pediu sobre komo deve ser un exposiçon acrícola
em Porto Alegre, temokrático e popular. Consultei o maior outorridade alemong Herr Von
Joseph Hermético sobre como deve ser un exposiçon acrícola temokrático.
     Herr Von Hermético tinha o mais alta consideraçon no tempo te nosso Fuhrer e por e
por esta razon foi tespedido to coferno, acussado injustamente te non gostar te temocracia.
      Uma inchustiça!... Ele tisse:
       "Meu amigo, é prreciso acesso parra os tecnologias foltadas à acriculturra to familia,
kon enchatinha e arrado te poi. É mais sautáfel pro saúde. O poi fai puxando o arrado e atupando  
 o lavora. Coisa que o máquina non faz.
       A xende non prrecisa de atubos tos amerricanos e tos multinacionais. Mai Kampf é 
kontra os crandes plantaçons. Mai Kampf é a favor tos bequenos, tos micros. O coferno
demokrrático und popular passa belo sektor primárrio, quanto mais primárrio melhorr.
O senhor teve tisser a seus conterâneos que un exposiçon teve em primeirro lugar combater
o tiscriminaçon racial e o fome tos acricultores.
      Os ingleses, franceses, holanteses infentaron um porçon de raças de poi, ticendo que o
Devon, o Holandês, o Charrolês é melhorr que os outros. Tudo mentirra. O poi alemong
é o melhor te..  tudo. Tevemos evitar essa guera te raças.
      Mai Kampf tampém tefende o populaçon te comer alimentos te graça e que non repres-
sentem riscos pro saúde. Eu penso que o fertadeiro acricultor non precisa sujar seus mons
no tera e no teto ta faca. Isto é primitivo.
      O coferno pode entregar um litro te leite pra cada acricultor, leite pasteurisado. Assim
ele pode dormir mais tarde e ir pro Ceasa tepois ta sesta pra buscar seu cesto básico.
      Mai Kampf é tampém contra este pasteurisaçon, porque ele mata os microbacilos.
Isto é um crime contra o natureza. Eu chá estudo uma técnica pra teixar todos microbacilos
vivoste acordo com a natureza. Nós non precisamos desses ciências estrangeiros. Meu pro-
grama é dos micro, dos pequenos, dos mignons; eu só komo filé mignon pra garantir meu
coerência. Por esta razón non se deve matar os pequenos aves como as moscas, os mosqui-
tos e os cafanhotos.
      O volk, que os zenhores chamam te povo, teve comer com muito cuitado.
      Temos que fazer un atmosferra te falorizar o poi sem raça, o poi popular. Exbulsar to
exposiçon todos os raças estranxeiros. E as pessoas tevem confraternizar com os bichinhos
passeando e confersando com eles antes to churasco. O poi tambem é xende.
      Cada um pode pegar um poi em qualquer fazenda e trazer pro exposiçon. Non precisa
pagar nada. É tudo temokrático.
      Os amerricanos e os franceses infentaron un tal de ingenharria genético.
       Isto é un grande perrigo. Mai Kampf é queimar tudo essas coisas contra o naturreza.
       O acricultor den de plantar como faciam nossos camponesses no Idade Média,
crãozinho por crãozinho e erram felizes. Eu recomendo pro coferno de teu estado que aprofeite
aquel exposiçon para sentar e deitar 10 mil famílias to sen tera nos pafilhões to exposiçon.
Terminado o exposiçon, non, non... Querro disser: o Exposiçon nunca termina. Cada dia tepois
tas danças e tescanço, eles podem fazer un crande churasco te amizadee confraternizaçon
comendo os pois to exposiçon demokrático, com muito bier(-chops) fornecido pelo coferno.
Isto fai dar muito foto demokrático.
      Assim en volta to fogo, todo mundo fai debater o realitade to kampo enquanto chupa o
chimaron e come o churasco.
       Isto fai ser un crande atraçon turístico. Os visitantes poderrão conhecer un campamento
te acricultores que non precisam plantar nem cuidar de facas, comem e pebem de graça eviven
felices no Exposiçon Temokrático Popular."
        To correspondente de A Manha en Buchenwald, Herr Klaus Tod.
Autor: Luiz Carlos Cunha autor de Dialética Urbana, publicado no extinto jornal Gazeta Mercantil -
Rio Grande do Sul, 03.06.1999.    

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