Poemas da Hora Amarga

Dando uma bispada no acervo de relíquias encontrei o livro citado no título de Eliezér Dêmenezes, que adiante publicarei algumas preciosidades, mas este livro foi prefaciado por um Itaquiense que ficou famoso e deixou um enorme cabedal (1903/1966) Manoelito de Ornellas: "Como se Fosse um Prefácio"...
Foi um pintor que falando de poesia, definiu-a como a linguagem dos iguais dispersos no tempo.
Não sei de melhor referência para este livro.
Aqui não é apenas o coração que vibra, nem uma sensibilidade que fala. Esta poesia, tem o ritmo
de muitos corações e murmura por muitas bocas. O poeta se transfunde na humanidade e a humani-
dade se individualiza no seu grito. Ele traz a linguagem dos iguais dispersos no Tempo...
Vem do fundo da madrugada, com os olhos velados de bruma e com as mãos molhadas de sereno luminoso. Vem para a claridade com a mensagem dos homens novos.
seu deslumbramento não o extravia, porém, na paisagem colorida que se rasga  à sua visão pura e profunda.
Na paisagem, o que lhe interessa, é o homem sofrendo, é a tragédia das angústias humanas, é o drama das longas expectativas.
Sua poesia não é intermediária. É direta. Não é um que fala em nome de todos. São todos que falam
por um.
Nesta poesía, filha do momento, está o sinal indelével da época - toda a tortura das almas simples que
procuram um recanto de paz no torvelinho da luta e dentro da lama feita de sangue.
Mas, no fundo de sua beleza - entre os brados de revolta da humanidade pisoteada e ferida - está  um
clarão magnífico de esperança, dessa esperança grande e generosa de um dia novo, de céu azul, sem a
sombra dos pássaros metálicos da morte e sem os estandartes mensageiros da escravidão e da ruína.
É o canto amargo dos que sofrem mas é também o canto animador dos que esperam.
Uma mensagem de compreensão e ternura. Poesia. Manoelito de Ornellas.. 1944...

Clement amigo:

Sí êsse meu livro tivesse a sorte de cair sempre em mãos de pessoas como você, ele poderia ter
pelo menos o orgulho de ser como a boa semente que encontrou uma terra generosa
para o seu humilde e belo propósito de frutificação. Abraça-o Eliezér Dêmenezes.

P.Alegre, dez. VII, 44.



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