quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Queima de Arquivos

Refiro-me aqui de livros!
Apenas livros e revistas; criaram-se bibliotecas em praças, postos de saúde para aumentar
o numero de, leitores e tenho amiúde acompanhado em todos os lugares,  a conclusão a que
cheguei é de que se vivêssemos na época do Fahrenheit 451 na Alemanha de 1936 tudo teria
dado exatamente certo! Talvez pequenos detalhes seriam o diferencial.
Somem-se os livros, alguém os leva mas não os lê, o que seria bem possível diante do baixíssimo
numero de leitores que temos; como disse um rico empresário ao ser solicitado a cooperar com
dinheiro para obras culturais: "estou aqui para ganhar dinheiro e não para me preocupar com
cultura de ninguém.
Olhem também tirem suas próprias conclusões, será um sonho meu? Os livros somem e aparecem
obras que nada tem a ver com história, geografia, ciências, são obrinhas de gente que ninguém conhece e estas logo desaparecem também.
Tenho peregrinado porque amo os livros, o cheiro deles me seduz, as palavras me enfeitiçam
e quando ilustrados mais ainda!
Sei que nosso povo muito  sofrido não tem o hábito da leitura, são raros os que leem, trabalhar é a meta onde a saciedade estomacal é mais importante que letras que não podem ser digeridas..
Esperamos que tudo não passe de um mero sonho da destruição da nossa história...
Aparecem centenas de revistas de igrejas evangélicas nas caixas de coleta/livrarias nos locais mencionados basta uma corrida de olhos e ver isso em cada local...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

GAUCHITO GIL

Com respeito a todas as crenças, folkclores, lendas & miçangas que bordejam por todos os lados, fui com um amigo dar uma peregrinada pela região missioneira do País vizinho a Argentina, e como fui nas caronas da condução somente tive de acompanhar, de repente uma pergunta: Vamos entrar numa secundária para irmos a uma pulperia bem longe, de difícil acesso, aqueles lugares que dá medo entrar, tudo parecia favelizado, meio abandonado, quebrado, feio, mas um claro sinal de pobreza, nada mais.
De repente vejo  o que  sempre quis,  ver de perto, botar as mãos, pegar sem estragar um poster antigo, calculei ter mais de 50 anos, pendurado numa parede com a prece de agradecimento ao Gauchito Gil, sua figura muito mal desenhada, nem caricatura parecia de tão feio o gaúcho; mas como estava no estrangeiro me submeto às leis, usos e costumes, retiro tudo o que posso e tudo o que vejo com tudo que já é meu, olhos, ouvidos, mãos para anotar...aí que veio o drama,  leio a prece do Gil, na verdade uma prece que agradece pelas graças, curas realizadas, fé, força, num povo empobrecido, endurecido pelo astro-rei, sua pele mais se parece com a dos jacarés. Será que um povo seja de qual nação for merece um castigo desses?
Daí peço uma lápis, uma caneta ao Pulpero, usted tiene un material que se possa escrever, uma caneta, lápis, um pedaço de carvão, algo asi? No tiengo nadie en este infierno no ai nada con que se posa ayudar algun vivente que raro acá viene, e le pregunte donde vienes paisano, de mui lejo de acá, soy yn pasante así casi como el Gil, me gusta peregrinar en tierras desconocidas e ir en la busqueda por lo desconocido. Converso no brasilês misturado com argentino espanhol, de Brasil, da região outrora parte de su território, entonces somos hermanos..seguro que sí.
Devo sair daquela Pulperia com a prece do Gil, nada para escrever, decoro a reza, leio várias vezes, falo em voz alta e o meu Mestre Viajeiro fica indignado como em tão pouco tempo consegui decorar e ficar recitando a prece do Gauchito Gil? Acho que é por causa da necessidade de contar esta história para mais gentes que gostam de folclores, de lendas, e de curas,...acho que foi por isso! Oh loco meu...a memória fotográfica...
Saudamos os crentes no Gil, e passamos na região missioneira onde no seu dia todos os trajetos, milhares, mesmo até onde nunca andou ou soube que existia haviam penduradas nas casas, nos postes, nas cercas, tudo vermelho cor do lenço do milagreiro Gil....e o povo vive de esperanças, muitas curas realizadas, muitas crises financeiras resolvidas, muitos nós desatados, muitos casamentos feitos e duradouros até hoje...e lá se foram alguns pares de anos e hoje por sorte me lembro de colocar no papel para que não se perca da memória e no éter;  talvez se eu tiver sorte como tinha o Gil esta vai para o Registro Akáshico...
Que a paz reine nos de bom coração, nos puros de pensamento e atitudes...
anatolio pereverzieff, Artesão da Pedra Bruta em busca do polimento!

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